Um minuto de silêncio

artigo escrito por Emmanuel Brandão

A Copa do Mundo perdeu seu brilho. O que será do maior evento futebolístico do mundo sem a poesia e o charme de Armando Nogueira. Depois de cobrir 15 Copas do Mundo consecutivas, a África vai sentir falta do talento de um craque das letras e mestre das palavras.

Com textos bem escritos, ele conseguia transformar jogos sem graça em partidas memoráveis. Seu talento encantou o país do futebol. Lances incríveis foram descritos com técnica apurada, só ele conseguia retratar jogadas geniais em textos inesquecíveis.

Segunda, 29 de março, o futebol perdeu um pouco seu brilho. Depois de dois anos lutando contra um câncer no cérebro, faleceu um dos maiores ícones da imprensa esportiva mundial.

Ex-diretor da Central Globo de Jornalismo, criador do Jornal Nacional e Globo Repórter, autor de dez livros e comentarista esportivo, Armando fez escola ao longo da sua carreira, acumulando muitos prêmios e admiradores. Autor de coletâneas, crônicas, frases e pensamentos, suas ideias repercutem entre os mais novos e mais velhos.

Um jornalista de bola cheia, que marcava colado nas notícias, corria atrás das informações e tinha uma visão de jogo privilegiada. Atuando sempre de maneira ética e jogando com lealdade, o botafoguense sabia a hora certa de atacar e contra-atacar. Ao longo dos seus 60 anos de carreira, transformou palavras em gols de placas, texto em jogadas brilhantes. Ao longo da carreira, acompanhou Garrincha, Pelé, Maradona, Zico, Zidane e o começo de Neymar e Paulo Ganso. Muitos craques ainda surgirão, mas poucos jornalistas vão brilhar como Armando Nogueira, que é insubstituível.

Potó está de Luto

Vivemos um mundo com preocupações ambientais. Aquecimento global, escassez de recursos naturais não renováveis, e como aluno de publicidade aprendeu em inúmeros concursos e exercícios em sala de aula a criarmos peças para defender o meio ambiente. Tudo isso, logicamente, acreditando no apoio que tínhamos da nossa Faculdade que, com seu discurso de crescer e nunca parar, nos passava a idéia de ser uma instituição que prezava além de uma educação de alto nível, mas também o respeito à natureza. Acredito ainda nisso. Porém, muito pouco depois de tomar conhecimento do falecimento de nosso ícone, ou como queiram chamar, da nossa Castanhola. Nosso símbolo maior e fonte de inspiração para criação do blog Potó quer ser publicitário, infelizmente foi cortada, assassinada, ceifada, ou como queiram. Isso mesmo, nossa Castanhola foi cortada sem nem mesmo sabermos o motivo para tal ação realizada pela Faculdade com o aval da diretoria. Uma diretoria que nos dá um oi falso ao longínquo, mas que para o curso de Estilismo e Moda são beijo, abraços e um “Oi, minhas estilistas!” cheio que amor, harmonia e adulação << Quanta falsidade!>>

O local que antes era ponto de encontro de inúmeros colegas que se reunião antes ou depois de cada aula para discutir, estudar, namorar ou até falar “besteiras” agora não tem mais o mesmo charme e acredito que não será convidativo a nenhum calouro que entrar na instituição e esses que entrarão não saberão quão bela era a nossa Castanhola. Podíamos até reclamar do mal cheiro que nos rondava, mas nunca que iríamos querer algum mal a Castanhola – até porque podíamos achar ruim a catinga que empestava nosso espaço, mas gostávamos de estar todos ali juntos. Queremos explicações da direção para o motivo que levou ao falecimento prematuro de um dos nossos maiores símbolos e fonte de inspiração, pois uma coisa sabemos, se não fosse a Castanhola, logo a comunidade de potós, esse texto não teria sido escrito nem o blog criado.

Por um instante pensei que a faculdade estava mais confiante nos alunos, criou a semana de apresentação. Uma excelente iniciativa que integrou os alunos. Bastou ficarmos de férias para ela assassinar nosso símbolo. Sim, a faculdade foi covarde ao ponto de fazer isso sem o consentimento dos alunos. Ela esperou todos saírem para ir lá e derrubar. Será que as pessoas não percebem que as árvores são história, são vida, são cultura? Quantos momentos essa árvore do pátio da Marista não presenciou? Quanta sombra ela já não ofereceu? Quantas vezes não foi recanto para amigos e amantes?

Texto por: Carolys, João Victor e Pedro Augusto Rafael