Um minuto de silêncio

artigo escrito por Emmanuel Brandão

A Copa do Mundo perdeu seu brilho. O que será do maior evento futebolístico do mundo sem a poesia e o charme de Armando Nogueira. Depois de cobrir 15 Copas do Mundo consecutivas, a África vai sentir falta do talento de um craque das letras e mestre das palavras.

Com textos bem escritos, ele conseguia transformar jogos sem graça em partidas memoráveis. Seu talento encantou o país do futebol. Lances incríveis foram descritos com técnica apurada, só ele conseguia retratar jogadas geniais em textos inesquecíveis.

Segunda, 29 de março, o futebol perdeu um pouco seu brilho. Depois de dois anos lutando contra um câncer no cérebro, faleceu um dos maiores ícones da imprensa esportiva mundial.

Ex-diretor da Central Globo de Jornalismo, criador do Jornal Nacional e Globo Repórter, autor de dez livros e comentarista esportivo, Armando fez escola ao longo da sua carreira, acumulando muitos prêmios e admiradores. Autor de coletâneas, crônicas, frases e pensamentos, suas ideias repercutem entre os mais novos e mais velhos.

Um jornalista de bola cheia, que marcava colado nas notícias, corria atrás das informações e tinha uma visão de jogo privilegiada. Atuando sempre de maneira ética e jogando com lealdade, o botafoguense sabia a hora certa de atacar e contra-atacar. Ao longo dos seus 60 anos de carreira, transformou palavras em gols de placas, texto em jogadas brilhantes. Ao longo da carreira, acompanhou Garrincha, Pelé, Maradona, Zico, Zidane e o começo de Neymar e Paulo Ganso. Muitos craques ainda surgirão, mas poucos jornalistas vão brilhar como Armando Nogueira, que é insubstituível.

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O anúncio já diz tudo. Ficou redondo.

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criação: Fred Moreira / Chico Cordeiro
direção de criação: Fabio Fernandes / Carlos Di Celio
agência: F/Nazca Saatchi & Saatchi
anunciante: O Globo
atendimento: Julieta Monteiro / Flavia Cerqueira / Malu Miranda
fotografia: Vaca Preta
aprovação: André Furlanetto / Alessandra Teixeira
data de veiculação: 2010-01-24

2009 foi uma piada.

O ano começou numa grande crise econômica mundial, as empresas trabalhavam com o pé no freio e a mão na embreagem. Assim, até Rubinho chegava à frente. A gripe suína assustou o Brasil e o mundo. Quando a situação chegava ao fundo do poço, nosso país descobriu o pré-sal, um tesouro escondido dentro do mar. No oceano atlântico também foram encontrados alguns destroços do vôo Air France 447, entre Rio de Janeiro e Paris com 228 pessoas a bordo.

Mesmo sem entrar em campo, o Brasil conquistou a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Fortaleza também se deu bem, foi escolhida como cidade subsede do maior evento futebolístico do planeta, essa vitória vai melhorar nossa infraestrutura, trânsito e principalmente a prostituição. Porque com vários gringos circulando com a cueca recheada de dólar, o que não vai faltar nas esquinas são garotas que atuam como profissionais do sexo e sem diploma. Os jornalistas ganharam mais um rascunho: seu certificado.

A TV digital chegou ao Brasil, mas o que continua fazendo sucesso mesmo é reality show e futebol. Ronaldo jogou a temporada no Corinthians, perdeu peso e ganhou títulos. Adriano, o imperador da Itália, voltou para a cidade maravilhosa, subiu o morro e depois caiu nos braços da torcida do Flamengo, conquistando o hexacampeonato e de quebra, a artilharia do Brasileirão. Dunga também ganhou tudo, já dizem que é melhor do que Maradona. O craque argentino conseguiu prolongar à carreira, pelo menos até a Copa com uma classificação sofrida.

Michael Jackson morre aos 50 anos, vai deixar muitos garotinhos com saudade. Patrick Swayze foi viver do outro lado da vida. O protagonista de Ghost lutou até o fim contra o câncer pancreático. O estilista e deputado, Clodovil também nos deixou. A torcida organizada do Coritiba protagonizou uma guerra na despedida do clube da elite do Campeonato Brasileiro. Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Uma aluna foi assistir aula de vestido curto levou vaias e ficou famosa. Preconceito ou sorte?

Em 2010, Luis Inácio da Silva vai inaugurar outra grande obra: Lula, o filho do Brasil. Toda estratégia de marketing e carisma do presidente, só faz aumentar seu ibope. Esse ano ele atingiu quase 90% de aprovação dos brasileiros. Mas parece que a sua sucessora, Dilma Rousseff, não agrada muito a população, o clima ficou ruim quando ela representou a nação em Copenhague. Sua presença só não foi mais apagada que o apagão, atingindo 18 estados.

E como em todos os anos, tudo termina em panetone. Vamos vestir o branco da paz. Até porque a esperança é a última que morre. Ainda tenho fé que um dia vamos nos tornar uma nação conhecida não apenas pelo futebol, mas pela organização. E não vamos achar mais graça de nós mesmo.