Prazer do consumo

O mundo em que vivemos está cada vez mais consumista e capitalista. O individualismo faz parte da personalidade de grande parte dos indivíduos. Todo mundo quer sempre mais e, quando tem tudo, quer tudo e algo mais. Nunca estamos 100% satisfeitos, sempre falta alguma coisa, mesmo que seja supérfluo.

Um carro já é considerado velho, mesmo com o “cheirinho” de novo. O apartamento do vizinho é sempre mais bonito do que o seu. Suas roupas nunca estão na moda, embora sejam da última coleção. Satisfazer todos os desejos é quase uma missão impossível.

Precisamos sempre de novidades, seja na vida pessoal, profissional ou com uma simples compra, nem que para isso estouremos nossos limites nos créditos e débitos da vida.

O poder da mídia de persuadir, vender e convencer alguns conceitos e estilos de vida termina deixando vários indivíduos insatisfeitos, alguns até excluídos de determinadas classes sociais. A força da propaganda de invadir a casa do consumidor, influencia o jeito de falar, vestir e agir.

Atualmente as pessoas ostentam muito mais do que possuem. É comum não ter um lugar próprio pra morar, embora possua um carro importado de última geração. Não comer bem em casa, mas jantar fora nos melhores restaurantes da cidade.

É normal financiar e refinanciar dívidas para parecer ter o que não tem. A ambição de comprar bens supérfluos e desnecessários só alimenta o ego e mostra um diferencial que poucos possuem e muitos querem ter.

O consumo em massa perdeu seu espaço para a exclusividade, agora as grandes marcas e empresas lançam produtos personalizados, poucos números de carros, poucos pares de sapatos. Tudo selecionado, único, diferente dos outros. Esse é o preço do consumo exclusivo, não em massa.

A velocidade da renovação de produtos os torna cada vez mais descartáveis. Passar mais de três meses com o celular é fora de moda. Repetir várias vezes a roupa é coisa do passado. A tecnologia está sempre inventando e reinventando.

As facilidades para não ficar excluído do mundo do consumo são muitas, os prazos esticados, “baixos juros”, tudo induz para se comprar mais e mais. Agora uma coisa é certa: muitos produtos que se adéquam às falsas necessidades ajudam muito na vida moderna e corrida do dia a dia. Não podemos deixar de acompanhar algumas tendências, mesmo que sejam moda passageira. Vamos consumir, mas sempre com consciência e dentro da realidade. Porque os produtos acabam, mas as dívidas ficam.

Um minuto de silêncio

artigo escrito por Emmanuel Brandão

A Copa do Mundo perdeu seu brilho. O que será do maior evento futebolístico do mundo sem a poesia e o charme de Armando Nogueira. Depois de cobrir 15 Copas do Mundo consecutivas, a África vai sentir falta do talento de um craque das letras e mestre das palavras.

Com textos bem escritos, ele conseguia transformar jogos sem graça em partidas memoráveis. Seu talento encantou o país do futebol. Lances incríveis foram descritos com técnica apurada, só ele conseguia retratar jogadas geniais em textos inesquecíveis.

Segunda, 29 de março, o futebol perdeu um pouco seu brilho. Depois de dois anos lutando contra um câncer no cérebro, faleceu um dos maiores ícones da imprensa esportiva mundial.

Ex-diretor da Central Globo de Jornalismo, criador do Jornal Nacional e Globo Repórter, autor de dez livros e comentarista esportivo, Armando fez escola ao longo da sua carreira, acumulando muitos prêmios e admiradores. Autor de coletâneas, crônicas, frases e pensamentos, suas ideias repercutem entre os mais novos e mais velhos.

Um jornalista de bola cheia, que marcava colado nas notícias, corria atrás das informações e tinha uma visão de jogo privilegiada. Atuando sempre de maneira ética e jogando com lealdade, o botafoguense sabia a hora certa de atacar e contra-atacar. Ao longo dos seus 60 anos de carreira, transformou palavras em gols de placas, texto em jogadas brilhantes. Ao longo da carreira, acompanhou Garrincha, Pelé, Maradona, Zico, Zidane e o começo de Neymar e Paulo Ganso. Muitos craques ainda surgirão, mas poucos jornalistas vão brilhar como Armando Nogueira, que é insubstituível.