Arte: Mídia da História

Não é de hoje que a arte reflete a história. Na Idade Média, os quadros propagavam a era das trevas a fim de valorizar e fortalecer a mensagem que era conveniente à igreja que, com o pensamento teocentrista, era a instituição vigente no momento. O culto a Deus e a servidão ao clero eram ilustrados nas telas. Chega o Renascimento, movimento artístico tão rico para o mundo, e a história é pincelada pelas mãos de grandes gênios. Os corpos se expõem e a racionalidade transborda das produções. Subsequentemente vem o Barroco, Neoclassicismo e outros grandes movimentos subsequentes.

Não se pode dizer que a história é escrita por pincéis ou talhas, mas eles reforçam o cenário e induzem um ideal de conduta e de postura da época em que estão enquadrados. E isso se dá sob duas perspectivas: a do artista, que expõe seu ponto de vista, sua arte e, muitas vezes, vai de encontro à realidade que vive, lançando críticas; e a do órgão que detém o poder ou a maior influência dentro daquela cultura. Em tempos medievais, por exemplo, a pintura e literatura eram eficientes meios de manipular sutilmente a massa, com sua doutrina sempre presente nas entrelinhas, ou até explicitamente.

No início do século XX, com as obras cinematográficas ganhando força, o Estado passa a reconhecer o grande poder desse meio de comunicação. Ora, a mídia de grande audiência é, logicamente, a mais disputada pelos órgãos. E não é conversa de publicitário. Trata-se de uma equação secular, como vimos.

Na década de 1960, com a declaração do presidente americano John F. Kennedy de que o homem pisaria na lua ao final da década, os cineastas desviaram sua atenção para essa temática tão absurda até àquele momento. Foi quando vieram inúmeras películas de tema espacial. A série Jornada nas Estrelas (1966-1969), O Planeta dos Macacos (1968), 2001- Uma Odisseia no Espaço (1968). E os anos 70 também sentiram os reflexos com Solaris (1972), Contatos Imediatos do 3º Grau (1977) e o lendário Star Wars (1977).

Aparentemente esses relatos não passam de curiosidades, no entanto, vale salientar que desde os anos 40 o mundo estava submerso na famosa disputa ideológica que dividia o mundo. O cenário artístico era aquecido com a Guerra Fria, que tinha nos Estados Unidos da América seu representante maior da veia capitalista. Do outro lado, um gigante ainda com o nome de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas representava o oriente com seu ideal de unidade e igualitarismo entre os povos. Ambos, com “união” no seu RG, partiam o planeta ao meio com uma briga que a cultura fez questão de comprar.

Em particular, vou falar de um clássico de 1985, período em que o lado ocidental já cantava supremacia e vitória: Rocky IV. A estratégia usada foi bastante simples: com um personagem consagrado e adorado em todo o mundo, já que a cultura americana encobriu o globo terrestre, os EUA trataram de deixar em ruínas um adversário que já estava na lona. Porém, mais do que fazer uma produção de sucesso, o longa da Fox Filmes cuidou de utilizar vários elementos que personificassem as duas pátrias. A começar por conferir aos norte-americanos Sylvester Stallone, ator já conhecido pela participação de inúmeros blockbusters. Já, do lado russo, o enorme e estreante Dolph Lündgren, representando e personificando a União Soviética no papel de Ivan Drago.

No enredo, o ex-campeão americano Apollo Creed é desafiado por Drago para mostrar a força russa e o investimento em tecnologias do esporte. Na luta que é apenas exibição, Ivan Drago derrota fatalmente o amigo de Rocky, que volta a ira americana contra o país europeu. Desde o episódio, que é uma festa a la American Way of Life, com o ícone James Brown abrindo o cerimonial, vemos os signos se duelarem entre si. A Rússia vence esse primeiro confronto, mas sugere que a vitória só foi possível pelo fato de ser somente uma exibição e que Creed não a levara a sério. Pelo contrário, para ele, é uma grande brincadeira.

As proporções físicas do desafiador, forte e com aproximados dois metros de altura, caracterizam bem a União Soviética, territorialmente superior aos EUA. O pequeno Balboa, por sua vez, vai a terras russas, sem apoio da mulher, para vingar Apollo. No meio do gelo, sem maquinário e quase nenhum auxílio de treinamento, ele mostra a garra, vontade, e adaptação americanas em atravessar o planeta (se preciso for) para conquistar seu objetivo.

A tecnologia russa é apresentada. Drago prepara sua musculatura com aparelhos inovadores, eletrodos mensuradores de pressão, circulação e resistência. Contudo, o que era apenas especulação midiática, é confirmado numa cena em que ele ejeta esteróides anabolizantes, o que sugere o mau uso da tecnologia. Mais ainda: que as vitórias russas são todas forjadas pela má aplicação da ética.

Chega o momento e a arena é lotada de russos. Entre as comissões, vemos um ator perfeitamente caracterizado de Mikhail Gorbachev. A bandeira das Repúblicas Socialistas grita, assim como a pintura de Lênin. Igualmente à primeira batalha em solo americano, nesse cenário vemos um mundo de representações icônicas, desta vez com temática russa.

No ringue, Rocky começa muito atrás, levando uma verdadeira surra, inclusive indo à lona, mas sempre com a força de reerguer-se, caracterizando a associação entre a resistência do atleta e a capacidade americana de superação de lutas e crises. Com muita força de vontade e técnica, Balboa vence as expectativas e a opinião pública dentro daquele território russo. Ao derrotar Drago, todas as pessoas presentes, que tanto confiavam na força soviética, mudam de lado nessa disputa mais que física. E vendo que todos, sem exceção, estavam do lado americano, Rocky profere as palavras: “Se eu posso mudar, se vocês podem mudar, todo mundo pode mudar.” E, com esses dizeres, mais do que um loiro até então anônimo, o blockbuster (ou arrasa quarteirão) ajudou a derrubar mais que um muro: um ideal.

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Vai uma BMW aí?

Está em exposição, no Grand Central Terminal,em NY Carros BWM que foram pintados por Andy Warhol (1928 – 1987), Frank Stella, Roy Lichtenstein (1923 – 1997) e Robert Rauschenberg (1925 – 2008).

O carro da foto abaixo é de Andy Warhol, pra quem não lembra dele, aqui vai a dica : Pop Art. Lembrou? Sim sim, ele foi um dos ícones do movimento nos EUA.

Olha o que ele disse a respeito do BMW M1 : “Adoro esse carro. É muito melhor que uma obra de arte”. Suas pinceladas ousadas de vermelho, verde, amarelo e azul que se fundem umas nas outras, traduzem velocidade.

Como a gente não tem dinheiro pra dar um pulinho lá. Nos contentamos com as fotos: Clica aqui.

Tem mais vídeos no potó

Olá coleguinhas.
Depois de um breve sumiço, cá estou para anunciar a estréia dos novos vídeos no Youtube do Potó  :

Homem Bomba :

Arte de Edson:

 

Lembrando que, quem quiser postar vídeos pode ficar à vontade. É só me mandar um e-mail (carolynnetavares@gmail.com) que eu passo o login e senha =D

Ah, veja todos os vídeos clicando Aqui