Entrevista do mês. Aqui você fala a vontade. Não seja curto nem grosso.
Há algum tempo queria fazer esta entrevista e postar para os leitores do POTÓ PUBLICITÁRIO. MARCELO LAVOR, é o profissional com o qual tenho o prazer de aprender todos os dias, e ele a pessoa que tem a paciência de ensinar. Pedi informações sobre o seu perfil, mas redigiu um bem mais detalhado do que o meu. Quero dividir com vocês um pouco do que tenho vivenciado ao lado dessa incrível pessoa e profissional.
Marcelo Lavor, nasceu no ano da 1a Copa do Mundo conquistada pelo Brasil, mas também no ano na maior seca que o Ceará já viu. Por isso, gosta tanto de chuva. Ex-futuro agrônomo. Formado em Comunicação Social pela UFC. Redator por formação se transformou num publicitário. Cursos de criação, marketing, redação e planejamento. Roqueiro convicto, detesta axé, forró e pagode, pimenta e a torcida do Ceará (o time, não o estado). Sabe tudo de Pink Floyd. Bicho grilo, chegou anteontem de Woodstock, pois veio a pé. Casado com uma socióloga. 3 filhos: administrador, publicitário (que não trabalha com ele) e físico-médico. Tem como grande confidente seu papagaio (nascido em cativeiro, com certidão de nascimento do Ibama). Trabalhou do menor ao maior mercado, indo das margens do Rio Parnaíba, em Teresina, até as margens do Tietê, em Sampa. Escalas em Goiânia, Brasília, Manaus e diversas temporadas em Fortal, onde toca juntamente com Bosco Carbogim e equipe, a Promosell Comunicação, sucedânea da CBC&A Associados. Muitos conhecidos, poucos e bons amigos. Não circula em eventos, muito menos em badalações, faz o estilo “low profile” pois que tem que aparecer È a marca do cliente. Como todo publicitário, também tem prêmios locais, regionais, nacionais e internacionais, embora sempre prefira receber em dinheiro.
Marcelo Lavor já faturou os seguintes prêmios: About, Colunistas, FIAP, Profissionais do Ano dentre outros.
1) Por que optou pela Propaganda dentre tantas outras profissões?
Depois de 2 anos cursando Engenharia Agronômica, cheguei a conclusão que minha praia era outra, bem distante das ciências exatas. Como sempre gostei de ler e escrever, a comunicação nunca saiu dos meus planos. Entendi muito cedo que mais do que as flores, o que impressiona é o cartão, como diria Olivetto. Daí para a P&P foi um pulo. A P&P me atraiu de cara pois é uma profissão onde você tem que, necessariamente, usar as muitas ciências e ferramentas criadas pela inteligência e sensibilidade humanas. Você trabalha com TV, cinema, fotografia, artes plásticas, literatura, prosa e poesia, planejamento, design, sociologia, psicologia, economia, administração, estatística, música, teatro, arquitetura, programação visual, e, acima de tudo, com pessoas interessantes e bem informadas.
E mais do que tudo isso, todo dia o trabalho lhe reserva uma surpresa. Todos os dias surge um novo desafio, que È quando a gente olha para o “job” e conclui que ainda tem muito a aprender.
Nenhuma profissão do mundo exige e oferece tanto.
2) Qual a maior dificuldade que você encontrou em sua carreira?
Controlar a ansiedade de querer fazer tudo agora, de uma vez, ao mesmo tempo. E entender que quanto mais a gente aprende e faz, mais tem o que aprender e fazer. Não tenho do que me queixar pois dei muita sorte em ter trabalhado (e aprendido) com excelentes profissionais que acreditaram e tiveram paciência comigo. Hoje, procuro retribuir aqueles que me ajudaram através da paciência com os alunos, estagiários e novatos. Ou seja: aqui se aprende e aqui se ensina.
3) Em todos esses anos como publicitário, qual momento da sua carreira que você ressalta como o ponto alto?
Já ganhei e já perdi. Prêmios, dinheiro, prestígio, amizades e inimizades, conquistas, fracassos, vitórias e derrotas. Acredito que o nosso trabalho (e o conhecimento da profissão) é cumulativo. Portanto, o ponto alto da carreira ser· no momento em que eu olhar para trás e ver o que foi construido ao longo do tempo. Se algo ainda continuar de pé, é porque valeu a pena. Nosso trabalho é efêmero. O anúncio de jornal de hoje estará embrulhando peixe no mercado amanhã. Então, o ponto alto ainda vai chegar. Não custa lembrar que quem vive de passado é museu.
4) Por que lecionar?
… uma maneira de estar sempre estudando, pois a cada aula você está sendo desafiado pelos alunos. Além disso, dividir a experiência e o aprendizado com quem está começando é um modo de retribuir tudo aquilo que a profissão me permitiu conquistar.
5) Na sua opinião, qual a maior dificuldade que os alunos enfrentam? Quais suas carências?
Literalmente, o “buraco È mais embaixo”. Ou seja: os estudantes já vem (des)aprendendo desde o ensino fundamental e médio. A falta de informação, que é a grande matéria prima da profissão, leva ao desinteresse pela leitura. E quem não lê, não vai aprender a escrever nunca. Mesmo que dominem as técnicas, a eles faltará conteúdo, faltará informação. E, na minha opinião, o talento se constrói, também, ao unir as técnicas com a experiência de vida de cada um. Isso é que os tornarão profissionais éticos e originais.
6) Para você, qual seria o erro que ninguém pode cometer dentro de uma agência?
Preguiça, soberba, arrogância, falta de lealdade e, principalmente, falta de criatividade e originalidade. Isto vale para qualquer setor da agência, da criação ao atendimento. Infelizmente, isto não é tão difícil de encontrar em muitas agências.
7) Como redator, qual seria a dica que você daria para os aspirantes a redação?
Leiam de tudo, de bula de remédio a Maquiavel, de Machado de Assis a Gabriel Garcia Marques, da Minha Novela ‡ Carta Capital.
Escrevam, reescrevam muito. Depois joguem tudo fora e comecem de novo. A preguica, assim como a falta de informação e conteúdo, é o grande mal que aflige muitos redatores em início, meio e fim de carreira. E procurem entender o problema do cliente. Muitos pensam que o trabalho reside em resolver o seu próprio problema, quando na verdade, o problema a ser resolvido é o do cliente.
O que você espera de alguém que acaba de sair da faculdade?
Vontade de conrtinuar aprendendo e disposição para o sacrifício, que é o ato de fazer e refazer até encontrar a melhor solução para o cliente.
9) Os prêmios são importantes?
Tem quem goste, viva disso e para isso. Principalmente os inseguros, que acreditam em prêmios como atestado de qualidade, coisa que nem sempre é verdade. De qualquer modo os prêmios tem sua importância. Mas todos fiquem tranquilos! Existem prêmios para todos, afinal, como dizia Andy Warhol, todos tem direitos aos seus cinco minutos de fama, ou melhor, aos seus 30” na mídia
10) Qual comercial favorito?
São muitos. Entre eles, o da Revista Época 2 anos, criado pela W/Brasil. Uma obra prima sob todos os aspectos que se analise.
11) Quais as grandes diferenças entre o modo de fazer propaganda hoje e o de alguns anos atrás?
A cada dia o mercado fica mais seletivo. Surgem, novas ferramentas, novos conceitos e teorias. O consumidor está cada vez mais desconfiado da P&P e do que vê na mídia. Antes, tudo que saía na mídia, fosse um anúncio ou uma notícia, era verdade absoluta. Hoje, se sai na mídia, é um motivo a mais para gerar desconfiança na mente do consumidor. Antes tudo era mais ingênuo, intuitivo. Hoje não é bem assim. Por outro lado, os computadores causaram uma revolução do bem e outra do mal. Do bem na medida em que é uma ferramenta fant·stica que contribui para ganhar tempo e conferir mais qualidade técnica ao que é feito.
Do mal, porque pasteurizou tudo. … o que eu chamo de efeito photoshop, tudo fica com a mesma cara. E por fim, a maior revolução de todas, que é a internet. Uma ferramenta tão mágica e tão anárquica que ninguém sabe onde as coisas vão parar. Muito menos eu.
… isso.
Marcelo Lavor
25 Março, 2009 às 11:46 am
Que Golaçoooooooooo de entrevista!!!!!!!!!
Parabéns ao Potó pelas publicações realizadas.
25 Março, 2009 às 11:48 am
Muito interessante a história dele, vendo a parte que saiu da área de ciências exatas e foi pra outra totalmente diferente! Excelente profissional! Tá show de bola a matéria! Abraços!
25 Março, 2009 às 11:52 am
esse entrevista ajudou muito para quem tá querendo seguir essa área de redação, como eu!
eioaieoae
vlw zé!
25 Março, 2009 às 11:53 am
Porra! Muito foda a entrevista. O Lavor é profissional a ser respeitado tanto profissionalmente quanto como a pessoa que opina.
Concordo plenamente com ele na resposta da 5ª pergunta. Infelizmente, é possível vermos, até hoje em dia, universitário que ficam de conversinha nas aulas, passando bilhetinhos e escrevendo (com o perdão da palavra) “merda” em provas. Agindo como uma criança do já extinto ginásio no lugar de se empenhar em aprender ou com os mestres ou com os livros.
25 Março, 2009 às 12:08 pm
Não sou dessa área, mas também tenho que trabalhar com o lado criativo, e concordo cquando ele diz que “Controlar a ansiedade de querer fazer tudo agora, de uma vez, ao mesmo tempo ” é a maior dificiculdade.
25 Março, 2009 às 12:48 pm
Ótima entrevista!
Excelentes, entrevistador e entrevistado, em suas perguntas e respostas!
25 Março, 2009 às 2:13 pm
O Lavor é um exemplo: simples, gente boa, motivador. Em Propaganda precisamos de referência, e ele é uma para todos nós. Parabéns aos Potozoários.
25 Março, 2009 às 3:53 pm
Opa!
Adorei a entrevista.
Muito boas as respostas, mesmo.
25 Março, 2009 às 6:19 pm
Muito bom poder ler uma entrevista como essa. Muito inspirador para os futuros publicitários. Bom trabalho!
25 Março, 2009 às 8:10 pm
Parabéns ao publicitário entrevistado e parabéns ao MESTRE.
Aliás, pq a minha faculdade não investe num blog como este.
FIC acorde!
25 Março, 2009 às 8:50 pm
hã.. ok.. tá certo, tchau.
25 Março, 2009 às 9:19 pm
Caro anonimo, que bom o blog te agradou. Olha só, o blog foi feito pelos alunos da faculdade, iniciativa nossa mesmo (dos alunos) e não da faculdade, recebemos o apoio da instuição mas a faculdade não é dona deste blog. E hoje temos a pretensão de divulgar as coisas acontecem fora dos muros da Católica.
Grande Abraço e continue acessando!
25 Março, 2009 às 9:20 pm
*que acontecem
25 Março, 2009 às 9:31 pm
Zé o anonimo eh o alter ego do marcaos!!!!!! ele fala as coisas boas q o marcaos quer falar e num pode…hehehehehe
entrevista show!!!!! o cara eh a cara dos idolos woodstock!!!!!!!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
25 Março, 2009 às 11:23 pm
Boa entrevista Zé. Tive a sorte de ser aluna do Lavor, e mesmo que no primeiro semestre, ainda perdi, ele ajudou muito. Sempre mostrando o fascinio que é a Publicidade.
25 Março, 2009 às 11:55 pm
Eu concordo que a leitura acaba sendo um obstáculo para muitos enquanto que é o grande auxílio do criador, principalmente do Redator. Agora que voltei a ser redator, tou retomando o hábito da leitura, que nunca deveria ter sido predido. Boa entrevista.
26 Março, 2009 às 12:48 pm
Já falaram tudo de bom de cara só resta lembrar que ele é rockeiro convicto e sabe tudo de Pink Floyd. Sorte tua Zé que trabalha com ele.
26 Março, 2009 às 12:59 pm
No meu primeiro dia de aula na faculdade eu tive a honra de ouvir palestra dele. Foi muito bom, principalmente para quem estava entrando sem saber se realmente a Publicidade era tudo o que imaginei. E é mesmo, tudo e algo mais.
27 Março, 2009 às 8:26 am
Com entrevistas como: André Nogueira, Andrey Ohama e Marcelo Lavor,
só podemos universitários dizermos que temos que ralar muito ainda, e que o Potó continue nos presenteando com os artigos que vem sendo apresentados.
27 Março, 2009 às 2:31 pm
L, (que nunca escreve o nome inteiro nos e-mail para economizar tempo, eu acho) quantas saudades desse professor querido. Adimiro muito essa pessoa/profissional que sempre nos mostrou na saude ou na doença, na felicidade ou na tristeza, na raiva ou nos puxões de orelha que Publicidade é muito mais do que imaginamos. Meu professor em algumas disciplinas eu o culpo por não ter saido desse curso. L é meu ídolo.
2 Abril, 2009 às 11:16 am
[...] 1. Bebedeiras dos amigos 2. Destaques do noticiário 3. Amigos dos tempos de escola 4. Mulheres do escritório 5. A mais bonita do escritório 6. Espalhar boatos 7. Promoções 8. Transas 9. Salário 10. O chefe [...]
13 Abril, 2009 às 4:40 pm
Grande Lavor! Sempre polêmico e revolucionário…
Valeu!
28 Maio, 2009 às 10:53 am
Excelente entrevista. O que mais me impressiona no Lavor, é a paixão que ele tem por seu trabalho. A sede de saber e de passar isso para os alunos. Não tem nada que o deixe mais triste do que um aluno sem o menor interesse pelo que faz!!!!!!!
Valeu
Polly