Entrevista do mês. Aqui você fala a vontade. Não seja curto nem grosso.

andreyAndrey Ohama já é macaco velho no cenário publicitário local (olha o trocadilho). Já no batente há 22 anos, Andrey já passou por diversas agências, dentre elas Mark, TT ML, Italo Bianchi, foi um dos sócios da Verve e hoje em dia é o homem no comando da 101º Macaco.

Com um vasto histórico que leva bastante experiência, criatividade e respaldo (através de premiações, como Colunistas de Porrada, Profissionais do Ano, Prêmio Abril, Central de Outdoor, Festival de Londres, Clio de New York entre outros ), Andrey ainda vem atuando em grande atividade no mercado local – e até em outros Estados – divulgando seu trabalho e colecionando elogios de seus clientes e respeito dentre os profissionais da área.

Com via disso, Andrey tem cartaz especial no Potó Quer Ser Publicitário desse mês de Fevereiro e junto a este fato trazemos uma entrevista com o próprio. Vejamos e conhecemos um pouco deste profissional e suas perspectivas.

Potó Quer Ser Publicitário – Andrey, você já está atuando no mercado publicitário local há mais de 20 anos. Já passou por várias agências e já desenvolveu todo tipo de trabalho na área. Contudo, nesse tempo todo, você teve algum grande obstáculo que chegou a lhe impedir ou lhe desestimular de prosseguir com seu trabalho?

 

Andrey Ohama – Antes de tudo, quem decide ser publicitário, tem que ter disposição pra enfrentar problemas. E no mercado local, são vários; verbas pequenas, o não investimento em produção, a cultura de corretagem e o maior deles: agências que não se posicionam.

 

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PQSP – Dentre esses anos que você constituiu sua carreira no cenário local ganhando de elogios a premiações, houve alguma em especial que você possa descrever que fôra sua melhor experiência no ramo que possa ter lhe dado – além de elogios e premiações – uma valor mais tanto pessoalmente quanto espiritualmente?

 

Andrey – O melhor prêmio para publicitário tem que ser o elogio do cliente. Prêmios, na grande maioria, são os elogios da “classe”. O que também é bom, mas nem sempre significa campanhas eficientes. E aí tudo perde o sentido. A melhor experiência estou vivendo agora na 101º Macaco. É nesse modelo de agência que eu acredito. 

 

 

PQSP – Você começou em agência, como você mesmo diz, limpando pincéis. Porém, você passou a ser ilustrador até chegar a ser diretor de criação e conseguir o status profissional e a experiência que você tem agora. Contudo, com o mercado publicitário mudando a uma velocidade abrupta por questões de mídias e interações com as novas tecnologias no ramo, na sua opinião, o que você espera da nova safra de publicitário que vem por aí?

 

Andrey – O que eu espero é que essa galera venha pensando o novo. Existe um perigo muito grande dessa galera já sair “velhos” da faculdade.

 

PQSP – Você já teve oportunidades de crescer em agências grandes portes e foi um dos sócios da agência Verve. Hoje você se encontra proprietário da agência 101º Macaco que já vem dando as caras no mercado local há quase dois anos visando estruturá-la a um modelo de agência que você sempre quis elaborar desde os tempos da Verve. Porém, você acha que o mercado local tem condições de se adaptar; de se acostumar a esse modelo que a 101º Macaco adota – mesmo com a teimosia e o temor sobre novos métodos de como se faz propaganda, que já é de praxe, dos anunciantes locais?

 

Andrey – Hoje, eu acho essa pergunta bem engraçada. Modelo novo? A Wieden + Kennedy já faz isso há mais de 20 anos e é considerada a melhor agência do mundo.

Mais cedo ou mais tarde essa ficha vai cair por aqui. A nossa já caiu há 2 anos.

 

 

PQSP – Ainda desenvolvendo o assunto sobre novas mídias, começam a aparecer no mercado (devagar e aos poucos) modelos de agências virtuais, como a paulista Boo-Box, que visam o mercado por meio da web que usam suas ferramentas de divulgações através de sites de busca como o Google e Blogs. Ao seu parecer, o que você tem a dizer sobre esse tipo de agência; sobre sua viabilidade e futuro?

 

Andrey – Acho um erro pensar em particularizar essa ou aquela ferramenta, como se a comunicação fosse dissociada do todo. Quando se fala em comunicação 360º, temos que pensar como juntar tudo isso a partir de um mesmo insight. Senão vamos recorrer no

velho modelinho de “corretagem” oportunista vestida de moderninha.

 

 

PQSP – Você já chegou a ganhar prêmios de tamanhas importâncias dando-lhe um gabarito a mais ao papel que você desempenha. Com relação às premiações, isso é realmente importante para a construção de um ótimo profissional ou é algo relevante para o profissional de criação?

 

Andrey – Publicitário é como jogador de futebol. Tem que jogar bola pra caramba e ganhar campeonato pra valorizar o passe. No começo de carreira, prêmios funcionam pra isso.

 

 

PQSP – Você foi um dos sócios da Verve e depois de um tempo voltou a atuar na área com a 101º Macaco. Na sua concepção, o que é realmente e extremamente necessário para que se possa montar uma agência de publicidade?

 

Andrey – Saco! Você tem que ter um saco enorme. (rs)

 

 

PQSP – Você teve grandes oportunidades e reconhecimentos de prosseguir com sua carreira em São Paulo, onde se encontram os grandes da publicidade, mas você não fez. Algum motivo em especial lhe prendeu aqui? E você motivaria alguém que, por mais que tivesse oportunidade e capacidade, de meter as caras no cenário publicitário paulistano?

 

Andrey – Eu vivi toda minha adolescência em São Paulo, fiz faculdade em São Paulo, embora tenha nascido em Recife. Que diabos eu ia querer mais por lá. Todas as pessoas bacanas que eu conheço por lá estão querendo vir pra cá. Agora, se tem alguém com síndrome de cabeça chata querendo ir pra lá: Vá com deus!

 

 

PQSP – Sobre essa questão de estágios, na sua análise, como um estagiário vira um empregado e quanto tempo leva em média? E o que você espera ver em um portfólio de alguém que procura estágio?

 

 

 

Andrey – Um publicitário na sua essência nunca será um “empregado”. Será sempre o dono da sua carreira. É isso que faz a diferença. E estagiário não precisa ter portfólio, precisa ter sangue no zói. 

 

 

PQSP – Como já sujeito vivido nesse mercado, você deve ter tido constatações de falta de ética por onde você passou, o que só vem a sujar a imagem do mercado publicitário local. Baseado nessas constatações e pela sua experiência o que isso vem a banalizar o mercado? E perante fortes concorrências, como se deve agir para que casos desse tipo não devam ser ocorridos?

 

Andrey – Ética é aquilo que você acredita ser o certo. Não vou discutir a falta de ética de seu ninguém. Problema de quem não tem!

 

 

PQSP – Para finalizar, como um Sensei Publicitário que você é, tem algum conselho que possa dar aqueles que ainda estão em treinamento na arte ninja da publicidade?

 

Andrey – Essa pergunta foi meio gay, mas vamos lá: Se você não tem muito saco, acha que vai sair da faculdade arrepiando, não gosta de pressão, não é curioso sobre tudo, quer ser publicitário por que é chic e não tem sangue no zói: Vái sentar num pudim.

15 Respostas para “Entrevista do mês. Aqui você fala a vontade. Não seja curto nem grosso.”

  1. Entrevista Muito boa, adorei tudo.
    Esse potó tá cada vez mais chique ahuahau ;p

  2. O Andrey tem a cara do Blog, se ele não fosse tão ocupado poderia ser colunista, heehhehe.

    A entrevista foi muito boa, com perguntas e respostasa bem esclarecedoras. A segunda do quadro, começamos com o pé direito e acabamos de dar mais outro passo com o pé direito. O blog tá de parabéns o entrevistador de parabéns e sobretudo o entrevistado de parabéns.

    Sempre que tiver na dúvida de algo vou consultar essa entrevista, além de esclarecedora é também motivadora!

  3. Ah, e o Andrey é alguém que tive prazer em conhecer mais bem rapidamente. O melhor de tudo, sem salto alto e pose de rockstar, mas com a humildade e determinação de um SAMURAI

  4. valeu agente tem que se espelhar em quem ja tem uma grande experiencia pra crescer mais rapido tambem

  5. Rafael Banhos Diz:

    Excelente entrevista e realmente muito interessante saber um pouco sobre o Andrey. Valeu galera!

  6. Vai ser perfeito essa entrevista!

  7. É.. acho que essa entrevista foi praquela galera que faz corpo mole na faculdade e acha que basta ter o canudo pra ser O publicitário… (E o pior que eu ainda me incluo nessa… =/ … Mas esforçarei-me pra sair!)

  8. Legal a entrevista, boas perguntas.
    Ae Robson, obrigado pela visita no blog, muito legal o que vcs estão fazendo aqui tbm, a gente vai se falando!!Abração.

  9. Muito boa a entrevista, que venham mais para o potó!

  10. Massa! É bom ouvir diretamente de quem tá “lá”, e não só estudar a teoria do mercado.

  11. adoreeeeeei!
    que bacana essa entrevista. me ajudou bucados.

  12. Poliana Moraes Diz:

    Eu tenho o previlégio de ser amiga desse cara maravilhoso que me fez tentar ser uma publicitaria como ele, não tenho a pretenção de ser igual ou melhor mas sim de seguir seus passos. Parabens ao blog que nos deu essa oportunidade de saber o que se passa pela cabeça de um cara tao bacana como o Andrey.

  13. Muito legal!Ainda mais com uma pessoa que consegue consquistar nas pequenas conversas, em suas “pequenas” gesticulações quamda está falando… E que te envolve e te conquista, pq ama o que faz!
    PArabens!

    *Ainda hoje a frase que marcou foi quando em uma mesa de bar, ele falou para um grupo de estudantes, futuros sonhadores publicitários: “A Universidade é apenas um jardim de infancia.É aqui, aqui fora que voces vao aprender e ai sim, depois de um bom tempo, uns 10 anos mais ou menos vao poder ser considerados publicitarios”.

  14. Transpirem, aprendam, transpirem mais ainda e colham os frutos disso.

    E tenho dito.

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