Cultura x Comércio (… ou Comércio x Cultura (?))

Depois da última viagem que fizemos à Recife, voltei de lá com mais interesse pela terra (Como todos sabem, sou baba-ovo de Recife sim!). A catinga não foi motivo para desgostar da cidade que me atrai pelas músicas e cultura. Num tour de ônibus (Um coletivo normal. Não o fretado pela faculdade), saímos eu e Marcelo de centro da cidade, que se localixa no Recife Antigo, até Boa Viagem, bairro de elite. no caminho fui constatando a quamntidade de shows que a cidade armazena através de cartazes colados em paredes e muros, e alguns outdoors. O que estranhei é que a maioria dos shows eram de bandas de Forró Eletrônico de bandas tipo as que temos aqui. Poucos foram os anúncios de bandas de Manguebeat – estilo musical criado em Recife nos anos 90 e que mais me atrai a cidade. Nem o show do Marcelo D2, o rapper nacional mais Pop da atualidade, que ia acontecer se não me engano na Sexta-Feira ou no Sábado da época (informação de um conhecido meu que reside lá) não foi tão divulgado através de qualquer mídia impressa.

Outro fato que estranhei é que o Recife Antigo, bairro-boêmio de Recife, que tem tradicionalidade quanto a música e festas, não estava com este cartaz todo (Acho que pode ser por questão de segurança. Não sei!). O bairro está perdendo espaço para outro bairro da cidade: Boa Viagem, que através de suas boates e luxos estão angariando toda uma massa recifense que se vê mais consumista.

O site Overmundo escreveu um artigo sobre tal assunto que vale a pena conferir: http://www.overmundo.com.br/overblog/a-nova-decadencia-da-cultura-pernambucana

Diferente de Recife, Fortaleza parece vir prezando (pelo um pouco mais) a sua própria cultura. Claro! Ainda há aqueles que, usando de suas próprias palavras, só querem putaria. Não importa quão burra for a diversão-putaria de tantos valdevinos frívolos. Porém, os poucos defensores da cultura cearense já deixam de ser só aqueles interioranos brabos do sertão e outros tantos universitários que prezam por sua terra. A questão da defesa da cearensidade está a tomar a simpatia de um juri maior e mais popular. Um público que faz questão de conhecer a região do Cariri, que dança ciranda no Mercado dos Pinhões ao som da banda Dona Zefinha, que já leu algum cordel ou Patativa do Assaré. Um juri de fronte a um palco que está a modificar-se com os costumes da terra com um vocabulário bastante carregado no cearês. Justo que é uma minoria ainda, mas é uma minoria bastante gradativa.

A questão deste artigo é, em comparação as duas cidades: Recife está virando Fortaleza e Fortaleza está a virar Recife?

6 Respostas para “Cultura x Comércio (… ou Comércio x Cultura (?))”

  1. micasghost Diz:

    Por aqui não vejo nenhuma revolução, o público alternativo tem crescido, mas os espaços para show não recebem esse público, tb há o mesmo problema de Recife, o público não tá disposto a pagar pela produção cultural local. As casas de forró e algumas poucas boates são os espaços onde o fortalezense médio vai se divertir, há as raves, mas são tb o mesmo esquema do forró: lugar longe + espaço pra poder fazer a puataria que quiser. Há a rua do fafi e maria bonito, mas eu não acredito q dure muito tempo aida, simplesmente porque é de graça e não tem como as casas locais se manterem.

  2. João Victor Diz:

    “…valdevinos frívolos.” A Lenda culta!

    Me respondam. Quem vai se largar de casa, sem carro e liso, pra ir prum show de música(independente de estilo), uma rave ou algum lazer cultural onde o preço do ingresso seja maior que R$ 20,00 por pessoa?

    Forró faz o marketing do preço e quantidade. É uma bosta e não restam duvidas, mas os kras acertam quando colocam o ingresso a R$ 5,00. Resultado? Felipão de avião e o kra que faz musica por amo andando de ônibus!

    Fazer o que? É a realidade.

  3. micasghost Diz:

    João Victor man, vc não anda em forró nem em rave mesmo hehehe

    o ingresso pro forró do sítio varia entre 15 a 30 reais, depende do show, e rave vai até mais caro.

  4. João Victor Diz:

    Mesmo assim, Micas.

    Forró no Sítio só vai quem tem carro, ou seja, quem tem grana pra por no mínimo gasolina. Lá ainda tem que ter a grana pra comprar o wisky pra começar a tentar queixar as muié!

    Forró é coisa de barão! Tem q escutar é heavy metal q o show vc paga de 10 a 40 conto (alguns vc leva é um CD de graça)! E ainda escuta musica que presta! heuheuheuhe

    Um VIVA ao metal! =]

  5. Guto Rafael Diz:

    A questão não é dar enfase a um estilo ou a uma tendência, e sim respeitar o gosto alheio.

    A pergunta foi feita não para decidir qual tendência é melhor que a outra (isso não existe). E sim para mostrar o que sucede em ambas cidades.

    Enquanto Recife se vê comercializada até na música (Festival Abril Pro Rock, por exemplo), Fortaleza vem apresentando espaços mais diversificados tanto pra música como arte e cultura, como o já tradicional Dragão do Mar e agora no Bom Jardim e a prefeitura já começou a implementar os projetos denominados CUCA (o significado da sigla não lembro agora) que estão promovendo mais a cultura e as artes entre os nossos.
    A questão não é a música que você escuta ou o que você faz. É fazer, curtir e/ ou conhecer melhor sua cultura e fazer algo que tenha conteudo que possa tirar proveito para fazer um bem para você e podendo lhe passar algo que preste.

  6. CUCA – consumidores unidos carrefour

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    Não conheço Recife, minto, fui pra lá uma vez na vida quando eu tinha 3 anos de idade e não conheci as baladas de lá =P

    Reconheço que de uns anos pra cá a cidade tá com mais opções cult mas tb não sei se o mérito deve-se à prefeita ou a minha vontade de procura.

    Acho bem interessante o que a Dona Prefeita vem fazendo, eu soube desses eventos do Bom Jardim pelos cartazes nos ônibus e talz. É entretenimento gratuito de qualidade =D

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